MAIO/2015

50ª Reunião da Abeno

 

Prof. Cipriano Luckesi: 

Educar é um ato cuidadoso

de oferecer suporte ao educando

para que aprenda e,

dessa forma, se desenvolva

 

“Estamos todos convidados pela história a entrar no caminho da inclusão, o que significa não excluir nada; incluir tudo, de forma amorosa, consciente e crítica para que possamos construir uma experiência mais sadia para nós e nossos contemporâneos” (Cipriano Luckesi)

Teólogo, educador, filósofo e terapeuta, o prof. Cipriano Luckesi, fará a conferência de abertura oficial da 50ª Reunião da Abeno, em Salvador (Bahia), no dia 12 de agosto próximo, às 15 horas, tratando do tema “Paradigmas da Avaliação no Ensino Superior: Larga Escala x Formativa”.

Em entrevista ao Abeno News, o educador fala dessa particularidade pedagógica nas atividades do ensino, conferindo um papel especial ao professor-educador.

Em sua conferência, abordará a questão metodológica da avaliação, com suas implicações metodológicas e psicológicas, como também seu papel fundamental na democratização da qualidade da formação dos estudantes.

Luckesi afirma que a avaliação tem como função investigar a qualidade dos resultados da ação do educador em sala de aula, fator que permite ao educador ter ciência a respeito da efetividade de sua ação. Caso sua ação educativa esteja produzindo os resultados desejados, ótimo; caso não esteja e efetivamente se tenha o desejo de produzi-los, há que se investir mais e de forma mais eficiente para que venham a ser obtidos. A função da avaliação da aprendizagem é subsidiar o educador a tomar decisões tendo em vista obter os resultados desejados e necessários.

Em sua exposição na Reunião da Abeno, expressará a importância  do educador investir em sua ação tendo em vista a efetiva produção de resultados de aprendizagem junto aos seus educandos; e, para tanto, a avaliação deverá ser companheira constante do educador, sinalizando-lhe o que já foi conquistado e o que falta conquistar. “Desse modo, diz o professor, a avaliação, no cotidiano da sala de aula, por si, deve subsidiar o educador a tomar decisões tendo em vista a obtenção dos resultados desejados.”

E, nesse contexto, segundo visão do professor, “a avaliação apresenta-se como uma investigação da qualidade da realidade, estando centrada em dois passos: o primeiro deles refere-se à ‘descritiva da realidade’, necessária à qualquer prática investigativa, o que implica em coleta de dados com rigor metodológico, pois os dados não podem ser aleatórios, devem ser intencionalmente selecionados e obtidos”.

Já o segundo passo refere-se à “qualificação da realidade, feita pela comparação entre a realidade descrita e o padrão de qualidade considerado satisfatório, isto é, se os dados da realidade avaliada preenchem o critério de qualidade assumido como o necessário”. Para o professor, “há um terceiro passo, que depende da decisão do gestor da atividade de ensino, o professor da sala de aula: frente à qualidade dos resultados obtidos, o gestor decide investir mais ou acolher a qualidade dos resultados da firma como se encontram. A razão de se atribuir à avaliação o adjetivo ‘formativa’ tem a ver com essa possibilidade, isto é, a sua capacidade de sinalizar a necessidade de novos investimentos para efetivamente ‘formar’ os resultados finais desejados”.

Luckesi esclarece que o resultado final de todo o sistema é a formação dos estudantes, esta é a razão pela qual, na avaliação de larga escala, parte-se dos resultados relativos à formação dos estudantes, pois que o sistema inteiro deve estar em função disso.

Quanto à abordagem transdisciplinar diz o professor que “a transdisciplinaridade está comprometida com o olhar do sujeito e sua abordagem do mundo”. De acordo com Luckesi, “não existe um currículo transdisciplinar. O máximo, do ponto de vista da articulação entre as disciplinas, é a interdisciplinaridade”.

 

Na odontologia, formação teórica e prática

Ao abordar a formação odontológica, o prof. Luckesi  destaque alguns pontos:

“Odontologia é uma área profissional que, obrigatoriamente, tem que integrar teoria e prática, uma é inútil sem a outra. A meu ver, sempre será necessário casar teoria e prática, compreensão e ação, afinal, o ser humano aprende pela ação. Agindo e compreendendo a ação é que se aprende. Nosso sistema nervoso cria algorítimos de compreensão e ação e os retém na memória; recursos esses que nos permitem realizar nossas ações. As sinapses, em nossos circuitos neurológicos, estruturam nossos hábitos, modos de ser e de agir. Essas estruturações são efetivadas pela ação. Diante dessa compreensão, educadores devem atuar de tal forma que os estudantes assimilem os conteúdos de aprendizagem de forma ativa, ou seja: (1) que recebam os conhecimentos com base em exposição dos conteúdos, (2) que compreendam os conteúdos, (3) que exercitem os conhecimentos até se tornarem seus; e, só depois disso, (4) há a possibilidade do uso satisfatório e da recriação de conhecimentos, tendo em vista tanto a prática na vida cotidiana, como também a possibilidade de criar novos entendi mentos da realidade”.

 

Quem é

Cipriano Luckesi é Bacharel em Teologia (PUC/SP); Licenciado em Filosofia (UCSal); Mestre em Ciências Sociais (UFBA); Doutor em Educação (PUC/SP); formado pelo Centro de Biossíntese da Bahia (1996) e pela Escola Dinâmica Energética do Psiquismo (1997); professor aposentado da Universidade Federal da Bahia.

Se desejar, poderá conhecer mais sobre o trabalho do prof. Cipriano Luckesi em seu site: www.luckesi.com.br